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terça-feira, 28 de julho de 2009

Atlas dos Sertões Brasileiros I

Dando continuidade ao projeto, o IBGE traz a público o seu novo trabalho, em que estão apresentadas algumas das regiões que se formaram ao longo do processo de ocupação do Território Nacional, desde o Século XVI, particularmente em segmentos aos quais, por alguma razão, foi atribuída, um dia, a condição de sertão.
Confirmando a proposta de trabalho assumida desde o primeiro volume da coleção, os recortes territoriais ora propostos – Sertões do Leste, Sertões do Ouro e Sertões dos Currais, Sertão de Cima e Sertões Nordestinos – não estão orientados pelas divisões político-administrativas tampouco pela regionalização geográfica brasileiras, mas, sim, pelas características e extensões definidas a partir das dinâmicas econômica, populacional, cultural e ambiental que lhes deram origem.
A publicação configura, inicialmente, por meio de textos e mapas, cada um dos segmentos selecionados em sua dimensão geográfica, com base na regionalização definida tanto pelo IBGE quanto por outras Instituições, enfocando, a seguir, a dimensão cultural dessas unidades territoriais com base na percepção da região pela Literatura. Essa abordagem é expressa em passagens selecionadas de José de Alencar, Coelho Netto, Agripa Vasconcelos, João Guimarães Rosa, Herberto Sales, Afrânio Peixoto, Cláudio Aguiar, Ariano Suassuna, entre outros importantes romancistas que dão visibilidade ao sertão, objeto do presente volume.
São apresentados, ainda, mapas localizando a região que emerge dos romances, bem assim fotos ou imagens. Em todos os textos, foram destacados em negrito alguns termos regionais referentes ao território e seu processo de apropriação, os quais integram um glossário, ao final da obra. Ao oferecer à sociedade brasileira este Atlas, o IBGE alinha-se às tendências mais recentes dos estudos geográficos e das Ciências Humanas em geral, que buscam incorporar a dimensão cultural à agenda das pesquisas sobre dinâmica da população e do território.
Clique aqui para baixar o Atlas dos Sertões Brasileiros I.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Atlas do IBGE - Brasil Meridional

Está disponível no site do IBGE o primeiro volume do Atlas das Representações Literárias de Regiões Brasileiras. Um projeto inédito e inovador que identifica e caracteriza as regiões geográficas a partir de obras da literatura brasileira, produzidas por importantes romancistas, como Érico Veríssimo, Cyro Martins e Simões Lopes Neto.

Em 86 páginas e quatro capítulos, o Atlas retrata o Brasil meridional: a Campanha Gaúcha, as Colônias, o Vale do Itajaí e o Norte do Paraná, através de fotos, imagens de satélite e mapas em diferentes escalas. Há um capítulo especial sobre as Missões Jesuíticas que, apesar de não constituírem uma região geográfica brasileira, têm importância estratégica para a compreensão do processo de constituição do Rio Grande do Sul.

Cada capítulo apresenta a região inicialmente como a Geografia a definiu, tanto por geógrafos do IBGE quanto de outras instituições. Esta parte contém textos e mapas. Segue-se a percepção da região pela literatura e passagens de romances que permitem sua visibilidade – capítulo intitulado Região e Romance. Por fim, são apresentados os mapas localizando a região citada pelos romances e fotos ou imagens da mesma.

Os próximos volumes do Atlas serão dedicados aos Sertões Brasileiros, Amazônia e Costa Brasileira, mantendo a preocupação com a qualidade da informação e utilizando a geografia de forma dinâmica.

Clique aqui para baixar o atlas do Brasil Meridional.

Imagens a -3°C










Imagens de Itaara, disponíveis no site do Diário de Santa Maria.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

São Petersburgo e Dostoievski




Nesta quarta-feira (dia 24/06) assistindo uma palestra sobre intercâmbio, tive a oportunidade de ver os relatos de uma estudante sobre a sua experiência em São Petersburgo na Rússia. Nos dois meses em que ela ficou por lá, foram várias as dificuldades, língua, comida, frio... sua descrição dessa experiência dava a entender que seu intercâmbio não foi lá muito agradável.


Mas isso me lembrou do livro Crime e Castigo, que por acaso terminei de ler a poucos dias atrás. Não tanto pelo melancólico relato da intercambista, mas sim pela viagem a São Petersburgo, antiga capital do império russo e onde se passa o romance de Dostoievski.


Para quem quiser saber um pouco mais:


A cidade de São Petersburgo, fundada pelo Czar Pedro, o Grande, em Maio de 1703, foi a capital do Império Russo por mais de 200 anos (1712- 1918). O centro histórico da cidade, datado do Século 18, sobreviveu ao período da industrialização, às Guerras Mundiais, e ao comunismo. Hoje, é considerado um dos mais preservados do mundo, razão pela qual em 1990 foi incluído na lista do Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO. A cidade abriga, dentre outros tesouros arquitetônicos, o Museu Hermitage, o Palácio de Menshikov, e a Coluna de Alexandre. É construída sobre mais de 100 ilhas, possuindo atualmente 342 pontes em diferentes estilos arquitetônicos e períodos. Devido aos canais que caracterizam a cidade, São Petersburgo é conhecida como a “Veneza do Norte”. Atualmente, a cidade tem uma população de 4.6 milhões de habitantes e é a quarta maior cidade na Europa, só ficando atrás de Moscou, Londres e Paris.


(Portella, 2009. Acesse http://vitruvius.com.br/minhacidade/mc260/mc260.asp ou ainda http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A3o_Petersburgo



Sobre o clássico Crime e Castigo de Fiódor M. Dostoievski é interessante ler o seguinte texto:


http://miradas.soylocoporti.org.br/2009/03/20/crime-e-castigo-um-romance-da-condicao-humana/




terça-feira, 26 de maio de 2009

Festival Internacional de Geografia

O Festival ocorre na França de 01 a 04 de outubro de 2009, na cidade de Saint-Dié-des-Vosges, localizada a 470 Km ao leste de Paris.


O site do evento é:

http://www.fig-saintdie.com/

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Ocupação do espaço nas grandes cidades

“Vazios” urbanos: terra para preservar ou para especular?

Aldo Paviani

Artigo disponível no site:

http://www.vitruvius.com.br/minhacidade/mc253/mc253.asp

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Oceano de Plástico

Durabilidade, estabilidade e resistência a desintegração. As propriedades que fazem do plástico um dos produtos com maiores aplicações e utilidades ao consumidor final, também o tornam um dos maiores vilões ambientais. São produzidos anualmente cerca de 100 milhões de toneladas de plástico e cerca de 10% deste total acabam nos oceanos, sendo que 80% desta fração vem de terra firme.

Foto do vórtex

No oceano pacífico há uma enorme camada flutuante de plástico, que já é considerada a maior concentração de lixo do mundo, com cerca de 1000 km de extensão, vai da costa da Califórnia, atravessa o Havaí e chega a meio caminho do Japão e atinge uma profundidade de mais ou menos 10 metros . Acredita-se que haja neste vórtex de lixo cerca de 100 milhões de toneladas de plásticos de todos os tipos.
Pedaços de redes, garrafas, tampas, bolas , bonecas, patos de borracha, tênis, isqueiros, sacolas plásticas, caiaques, malas e todo exemplar possível de ser feito com plástico. Segundo seus descobridores, a mancha de lixo, ou sopa plástica tem quase duas vezes o tamanho dos Estados Unidos.

Ocean Plastic

O oceanógrafo Curtis Ebbesmeyer, que pesquisa esta mancha há 15 anos compara este vórtex a uma entidade viva, um grande animal se movimentando livremente pelo pacifico. E quando passa perto do continente, você tem praias cobertas de lixo plástico de ponta a ponta.

Tartaruga deformada por aro plástico


A bolha plástica atualmente está em duas grandes áreas ligadas por uma parte estreita. Referem-se a elas como bolha oriental e bolha ocidental. Um marinheiro que navegou pela área no final dos anos 90 disse que ficou atordoado com a visão do oceano de lixo plástico a sua frente. 'Como foi possível fazermos isso?' - 'Naveguei por mais de uma semana sobre todo esse lixo'.
Pesquisadores alertam para o fato de que toda peça plástica que foi manufaturada desde que descobrimos este material, e que não foram recicladas, ainda estão em algum lugar. E ainda há o problema das partículas decompostas deste plástico. Segundo dados de Curtis Ebbesmeyer, em algumas áreas do oceano pacifico podem se encontrar uma concentração de polímeros de até seis vezes mais do que o fitoplâncton, base da cadeia alimentar marinha.

Todas a peças plásticas à direita foram tiradas do estômago desta ave

Segundo PNUMA, o programa das nações unidas para o meio ambiente, este plástico é responsável pela morte de mais de um milhão de aves marinha todos os anos. Sem contar toda a outra fauna que vive nesta área, como tartarugas marinhas, tubarões, e centenas de espécies de peixes.

Ave morta com o estômago cheio de pedaços de plástico

E para piorar essa sopa plástica pode funcionar como uma esponja, que concentraria todo tipo de poluentes persistentes, ou seja, qualquer animal que se alimentar nestas regiões estará ingerindo altos índices de venenos, que podem ser introduzidos, através da pesca, na cadeia alimentar humana, fechando-se o ciclo, na mais pura verdade de que o que fazemos à terra retorna à nós, seres humanos.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009


Vídeo interessante para quem deseja abordar questões como produção de mercadorias, trabalho, consumo, poluição, etc.


clique no link abaixo para assistir:


FSM: O Ano do Futuro


Os acontecimentos que marcam o início de 2009 são de tal modo importantes que se o mundo não puder conhecer a posição do Fórum Social Mundial sobre eles é possível prever que o FSM corre o risco de se tornar irrelevante.A grande mídia divulgou à saciedade o diagnóstico da situação mundial feita pelo Forum Econômico Mundial (FEM) na sua reunião deste ano. É um diagnóstico sombrio que coincide em muitos pontos com os diagnósticos feitos pelo Fórum Social Mundial (FSM) em suas sucessivas edições desde 2001. Não interessa saber se o FSM teve razão antes do tempo ou se o FEM tem razão tarde de mais. Interessa, sim, refletir sobre o fato de o FSM não ter tido a influência ou exercido a pressão que se desejaria sobre os decisores políticos. Em parte, isso deve-se a uma opção do FSM: ser um espaço aberto a todos os movimentos e organizações que lutam de forma pacífica por um outro mundo possível, sem deixar que tal abertura seja comprometida por decisões políticas, nunca possíveis de obter por consenso.Sempre defendi que esta opção, sendo acertada, não devia ser assumida de forma dogmática. Deveria ser possível identificar, em cada momento histórico, um pequeno conjunto de temas sobre os quais fosse possível identificar ou gerar um grande consenso. Sobre eles, o FSM, enquanto tal, deveria tomar uma posição que seria assumida por todos os movimentos e organizações que participam no FSM, dando assim origem a agendas parciais mas consistentes de políticas nacionais- globais. Os acontecimentos que marcam o início de 2009 parecem dar razão a esta posição. Eles são de tal modo importantes que se o mundo não puder conhecer a posição do FSM sobre eles é de prever que o FSM corra o risco de se tornar irrelevante. Passo a mencionar alguns desses acontecimentos.A tragédia de Gaza. Está demonstrado que foram cometidos crimes de guerra e crimes contra a humanidade durante a mais recente invasão israelita da faixa de Gaza. Que consequências retira o FSM deste fato? Que medidas propõe para que estes crimes não fiquem impunes?China ou Suma Kawsay? É verdade que o neoliberalismo não foi morto pelo ativismo do FSM. Cometeu suicídio. Isso está patente nas pseudo-soluções que se apontam para o desastre. Uma coisa é certa: os cidadãos do mundo sabem como os Estados protegem os bancos; só não sabem como protegem as pessoas. Sobre as muitas dimensões da crise o FSM tem uma reflexão consistente. Qual a posição do FSM? De um lado, as economias centrais imploram à China que “forcem” os seus cidadãos a consumir, mesmo sabendo que se os níveis de consumo atingissem os da Europa e da América do Norte seriam precisos três planetas para garantir a sustentabilidade do único planeta que temos.Do outro lado, e bem nos antípodas desta proposta, o notável protagonismo dos povos indígenas do continente americano tornou possível que as suas concepções de desenvolvimento em harmonia com a natureza fossem consagradas nas Constituições da Bolívia e do Equador. Trata-se do princípio de “viver bem”, o Suma Kawsay dos Quechuas ou o Suma Qamana dos Aymaras. De que lado está o FSM?Cuba: cinquenta anos de futuro? A Revolução Cubana celebra este ano o seu cinquentenário. A Europa e a América do Norte podiam ser o que são hoje sem a revolução cubana, mas o mesmo não se pode dizer da América Latina, África e Ásia, ou seja, das regiões onde vive 85% da população mundial. Cuba deseja a solidariedade crítica do mundo progressista para superar uma situação que, a não mudar, é inviável enquanto solução socialista. Onde está a solidariedade do FSM? Onde está a crítica?O Comando Africano (AFRICOM). Começou a ser visível a interferência do Comando Africano, recentemente criado pelo Departamento de Defesa dos EUA, na política de vários países africanos. É de prever e temer a crescente tensão militar no continente. Será este um tema em que o FSM pode ter razão a tempo e dar a conhecer ao mundo a sua posição?O fim do 11 de Setembro. Que há de comum entre a decisão do Presidente Obama de encerrar a prisão de Guantánamo e suspender os julgamentos e a decisão do Ministro Tarso Genro de conceder asilo ao ex-militante esquerdista Cesare Battisti? São duas decisões corajosas dos governos de dois países importantes (o primeiro em declínio, o segundo em ascensão), assinalando ao mundo que a vertigem securitária que assolou o mundo depois do 11 de Setembro chegou ao fim. A melhor segurança cidadã é a que decorre do primado do direito e do aprofundamento da democracia. A justiça de exceção está para a justiça como a música militar (sem ofensa) está para a música clássica. O mundo tem direito a saber que medidas vai tomar o FSM para apoiar estas decisões, que, como é de esperar, terão os seus detractores.NOTA DA REDAÇÃO: O livro mais recente de Boaventura de Sousa Santos se intitula Vozes do Mundo, publicado pela Civilização Brasileira.Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal).